Manutenção adequada garante longevidade a estruturas de madeira

No Brasil, coberturas centenárias resistem ao tempo

Há 14 séculos, aço e concreto não eram uma opção para os monges budistas que construíram o Templo da Lei Florescente, em Ikaruga, Japão, com 32 metros de altura. Também acreditaram na força da madeira os monges no templo Sakyamuni, em Yingxian, China. Erguido em 1056, a estrutura alcança 67 metros em direção ao céu.

No Brasil, a Vila de Paranapiacaba, em Santo André, interior de São Paulo, preserva cerca de 200 casas construídas pelos ingleses com pinho de riga (uma espécie de pinus) e peroba rosa, em 1860. Na época, apenas o tratamento superficial da madeira era possível de ser aplicado.

De acordo com o engenheiro especialista em estruturas de madeira, Guilherme Stamato, cada material construtivo escolhido para um projeto deve receber os cuidados específicos para garantir a durabilidade da construção. “A madeira corre risco de apodrecer e ser atacada por cupim, mas são problemas evitáveis a partir planejamento e execução adequados”, afirma.

O especialista orienta que a primeira regra ao se optar pela madeira é protegê-la da umidade. “O material não deve ficar enterrado no solo ou em contato direto com a alvenaria, a não ser que a madeira tenha durabilidade natural alta – caso de algumas espécies florestais nativas, que hoje não estão tão disponíveis- ou tenham tratamento em autoclave ou superficial”, explica.

Além disso, o engenheiro lembra que além da execução adequada, é preciso realizar manutenções ao longo do tempo. “A pintura para proteção da madeira precisa ser refeita de acordo com a especificação técnica de cada fabricante do produto usado para o tratamento e também de acordo com a desgaste dessa pintura observada pelo usuário”, orienta. Outra recomendação é que no primeiro sinal de infiltração ou vazamento de água o problema seja rapidamente resolvido para evitar que a umidade degrade a madeira.

Obras preservadas

Além da vila em Santo André, sobram exemplos de construções com estruturas de coberturas em madeira com mais de 50 ou 60 anos. Em Presidente Prudente (SP) o Instituto Brasileiro do Café (IBC), da década de 1950, mantém em bom estado de conservação uma estrutura usada atualmente para eventos e pertencente à Prefeitura de Presidente Prudente.

“A estrutura de madeira utiliza peças de pequenas seções em composições treliçadas, com múltiplos banzos, diagonais e montantes, ligações entalhadas e cavilhadas, cuidados com o isolamento dos pés da estrutura da umidade do solo, contraventamentos precisos, entre outras características que transformam uma visita a um espaço como esse em uma verdadeira aula”, relata Stamato.

Embora não seja numerosa, a comunidade inglesa de Curitiba (PR) contribuiu com um exemplar característico de residência em madeira. A Casa Gomm foi construída pela família em 1913 e tombada pelo patrimônio histórico estadual em 1989. Desmontada e transportada para o Bosque Gomm, a construção se destaca pela forma orgânica de sua arquitetura, marcada pelos três planos na fachada dotados de bow windows – detalhe típico da casa inglesa tradicional.

Modernidade

Os sistemas construtivos industrializados como wood frame – que começam a ganhar espaço no Brasil – também têm questões como manutenção e cuidados com a umidade no radar. De acordo com informações da construtora Tecverde, uma das empresas que desenvolve empreendimentos dentro desse sistema, os projetos da empresa contam com um processo de tratamento a cupins, fungos e brocas, e o uso de uma manta que evita a entrada da umidade externa impedindo a formação de mofo e bolor.